No dia 8 de janeiro de 1972, Manoela León foi fuzilada a mando do presidente do equatoriano Gabriel García Moreno. Mulher indígena, símbolo da resistência à colonização, Manoela foi uma das dirigentes da Revolução de Daquilema, que, em 1871, articulou milhares de indígenas contra a cobrança do dízimo e o trabalho servil.

Liderando centenas de homens e mulheres, Manoela resistiu bravamente à repressão do Estado. Suas tropas queimaram propriedades e enfrentaram as milícias enviadas pelo governo. Um de seus feitos mais famosos é o duelo direto com o Tenente Miguel Vallejo, uma luta corpo a corpo em que Manoela saiu vencedora.  Em dezembro de 1871, em uma expedição para libertar os indígenas presos pelo incêndio de 14 casas “de brancos”, Manoela foi capturada e encarcerada. Sendo executada poucos dias depois, em janeiro. 

Diversos documentos mostram Manoela foi vítima de violência sexual, arma usada comumente contra mulheres que ousam a se rebelar. Além disso, durante o processo contra ela, houve uma tentativa explícita de apagar sua participação nas Revoltas. Em seu parecer, o presidente se refere a ela como Manuel León e, na maioria dos documentos, esse é o nome registrado, fazendo com que muitos duvidassem de sua existência. Hoje, Manoela é uma heroína nacional no Equador e símbolo da resistência de mulheres indígenas contra a colonização e a opressão de seus povos. 

Para quem quiser saber mais sobre Manoela, a Revolução de Daquilama e a participação das mulheres indígenas na luta descolonial, achamos essa dissertação, que está em espanhol, que faz uma análise sobre a história e os discursos sobre Manoela León e sua importância. (Título da dissertação: El discurso de Manuela Léon y su incidencia en la Parroquia de Cacha Provincia de Chimborazo, período 1869-1872).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

13 + 2 =